Feliz por nada :))

Ja perceberam como tudo fica leve quando fazemos uma faxina na casa ou organizamos os armários, a bolsa ou damos aquele trato no jardim depois que o inverno passa? Nos sentimos renovadas, parece que tudo ficou mais leve e isso apenas pelo fato de colocarmos tudo em seu devido lugar e nos livrarmos do que estava entulhado. Mas existe um lugar que precisamos também, sacodir a poeira, jogar fora o que não serve, colocar tudo no seu devido lugar mas vamos protelando, protelando, juntando mais e mais lixo e quando o lixo ja está transbordando e fedendo…algumas pessoas explodem, outros tomam remédio, outros adoecem, e muitos procuram um terapeuta. Sim, estou falando da nossa cabeca. Este rodeio todo é para falar do livro “Feliz por nada” da escritora Martha Medeiros. Para os mais preconceituosos ja vou falando que não se trata de um livro de auto ajuda, embora eu ache que todos os livros, querendo ou não, desempenham este papel. Este livro está classificado como não ficcao. O que aconteceu quando o peguei para ler no voo entre Brasil e Holanda, uma semana atrás,  foi o seguinte:  De repente a faxina comecou. Coisas que estavam guardadas lá no fundo do armário e que eu nem lembrava mais foram surgindo. Coisas inúteis, velhas, fora de uso, que não serviam mais e estavam alí apenas entulhando e que eu resolvi me livrar naquele momento. Tinha “lixo” pequenininho que cheirava muito, outros “lixos” maiores mas que dava para ser reciclado e também coisas novinhas que precisavam ser guardadas com carinho. Durante o tempo que fiquei lendo quase podia sentir a poeira saindo por todo os lados e o refrescante cheirinho de limpeza no ar. Livro bom é assim, não complica, passa a mensagem, te acrescenta e ajuda você a fazer a faxina sem precisar pagar uma profissional…simples assim. Adorei e recomendo.

O coração é um caçador solitário (Carson McCullers)

Numa cidadezinha do Sul dos Estados Unidos for volta de 1930, eventos da vida de cinco indivíduos são relatados. Em cada capítulo, a autora volta a sua atenção para um desses indivíduos.  Personagens secundários são introduzidos ao longo da narração. Obviamente por se passar numa cidade pequena, as histórias e os personagens se entralaçam, mas o leitor nunca perde de vista à que indivíduo o capítulo é destinado.

Para entender a história, vale apena fazer uma diferenciação quanto à nomenclatura. Ao meu ver, personagens são todos os figurantes da história. Suas vidas de misturaram, seus destinos se juntam dando a impressão ao leitor de que eles fazer parte de um grupo. Os cinco indivíduos são entidades separadas. Sua vidas, sentimentos, emoções são como uma gota de óleo em uma bacia de água: elas não se misturam.

Para mim essa é a chave para entender a história. Pelo fato de os indivíduos terem uma grande dificuldade de se integrar ao grupo, eles sofrem de uma solidão aguda. A maior barreira que eles não conseguem transpor se dá pela comunicação. Um mudo, um negro erudito, uma menina, um comunista e um dono de restaurante vivendo numa época de extrema pobreza e segregação racial. É fácil conseguir identificar a razão de eles se sentirem tão sós, tão isolados em seus próprios mundos.

Fico pensando se solidão é uma questão de escolha. Esse livro deixa bem claro que não. Uma combinação de fatores externos pode levar a gente a se sentir e a ser extremamente sós. Gostei muito do livro, achei-o muito tocante. Também fiquei surpresa em descobrir que uma narração tão sensível foi criada por uma escritora de apenas 23 anos the idade.

Recomendo esse livro por sua história e suas descrições detalhadas. Ao ler a descrição de como o dia estava quente, conseguia sentir calor mesmo nesta fria primavera holandesa!

De zaak 40/61

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Há uns tempos atrás li uma reportagem, que não me lembro mais,  no jornal NRC next em que o autor citava um livro do famoso escritor Harry Mulisch – De zaak 40/61 (O caso 40/61).  Um pouco antes do meu aniversário, me perguntaram o que eu queria de presente e o livro me veio imediatamente à cabeça.  Então lá fui eu ler um livro em holandês um pouco mais difícil do que estou acostumada. No começo achei o livro difícil, mas não me dei por derrotada. Tomei coragem e fui em frente. 

Hoje finalmente depois de mais de dois meses consegui chegar ao fim.  Agora posso falar que fazia tempo que o Holandês (e aqui coloco em maiúscula porque ele virou uma entidade própria na minha vida) não me desafiava assim. Aqui tive que ler frases mais de duas vezes e virei várias páginas sem entender o que se estava dizendo.  Mas ainda sim posso dizer que o livro valeu apena.

Para quem gosta de Segunda Guerra Mundial, o livro é interessantíssimo.  São coletâneas de artigos que o Harry Mulisch escreveu durante o julgamento do Eichmann em 1961 em Jerusalém. Eichmann foi o responsável pelo logística do transporte dos judeus até os campos em concentração. Ele foi preso na Argentina 1960 pelo serviço secreto israelense e foi julgado em Israel, onde recebeu a pena de morte.

Durante o livro Mulisch relata o processo em andamento, divaga sobre as razões que levaram Eichmann a cometer tal crime e conta histórias extremamente tocantes de sobreviventes.  O autor ainda visita Berlim e  Oswiecim.

O ponto mais desconcertante do livro é quando Mulisch conclui que para se cometer um crime como Eichmann o fez, a pessoa não precisa sofrer de nenhuma doença mental nem de possuir pensamentos estrondosos. O indivíduo precisa simplesmente ser um “bom”  cidadão e obedecer as regras/ordens a que é imposto. Na verdade,  Eichmann era um ótimo burocrata e fazia o seu trabalho extremamente bem, seja ele qual fosse. O seu problema era sua extrema lealdade ao seu trabalho.

Nesse ponto, não consigo deixar de fazer o paralelo com o mundo atual. Quantas pessoas não andam por aí seguindo ordens sem sequer pensar na natureza de suas atitudes, como aparentemente Eichmann o fez? Quais serão as consequências desses atos? Para mim, esse livro serviu como uma prova adicional da importância de estarmos sempre nos indagando sobre tudo ao nosso redor, e sobre principalmente as nossas próprias atitudes.

Apesar de ter gostado muito, tenho uma pequena crítica ao livro: Mulisch cita várias passagens em alemão, o que contribui (e muito!) para a minha dificuldade em entender o texto.  Contudo, ele dá uma razão pra isso que ainda me dá calafrios: “ Citaten zijn zo veel mogelijk in het duits, want in her nederlands is het niet meer, wat het is: gevaarlijk” (p. 5).  (Citações são sempre que possível em alemão, pois em holandês elas não são mais, o que são: perigosas).

Finalizo o meu texto com uma dica para os mais interessados. Durante a leitura do livro, não pude deixar de fazer o paralelo com esse estudo (em inglês). No entanto, só agora consultando a Wikipedia, descobri que o estudo começou a ser realizado durante o julgamento do Eichmann. Agora me pergunto: quem inspirou quem? Mulisch Milgram ou Milgram Mulish?

XIII Encontro


Nesse domingo aconteceu a nossa XIII reuniao do Entre Mulheres e Letras, e dessa vez tivemos uma integrante especial, a Julieta que entre uma viagem e outra veio nos prestigiar, ela nao esta com o maior jeito de mascote do clube?

Meninas obrigada pela presenca, foi uma tarde maravilhosa e um prazer receber voces aqui em casa. Agora, vamos ler!

Pra quem tem gatos

 

 

 

 

 

Era abril de 1984, estava na Candelária, centro do Rio de Janeiro e encontrei-me por acaso  com uma grande amiga, que nesta altura estava com oito meses de gravidez.

No Rio acontecia uma das maiores manifestações públicas da história do Brasil, com 1.000.000 de pessoas a pedir “Diretas já”.

Um mes depois nasceu Maria Antonia sob o clima de mudança. Maria Antonia viveu pouco tempo, falecendo aos 26 anos com um tipo raro de câncer. Deixando-nos com uma coletânea de crônicas que foi publicada por sua família neste livro, escrito com seu senso de humor impar.

O livro Pra quem tem gatos, contém estórias curtas e divertidas da sua observação da vida e seus personagens hilariantes.

“Tinha pavor dos embaixadores de Freud, que tragavam um cigarro e diziam: Fale-me dos medos”.

“O superego e dissolúvel em alcool Vamos encher a cara hoje".

Maria Antonia deixou saudade.

Para ler, pensar e crescer

Quando voce le um livro e depois fica lembrando dele, de algumas “cenas”, algumas frases, das licoes que voce voce tirou da historia alheia, e porque este livro merece um post. Ontem terminei de ler o livro “SOCIEDADE DA NEVE” de Pablo Verci. Nele os 16 sobreviventes dos Andes contam toda a historia pela primeira vez. No primeiro livro, que foi lancado logo depois do resgate, intitulado “Os sobrevientes” a historia foi contada por cima apenas falando sobre o acidente e o resgate. Por um longo periodo os sobrevientes se fecharam e nao queriam dar entrevistas, primeiro por respeito as familias dos que nao sobreviveram, segundo porque precisavam de um tempo para administrar, em suas cabecas, tudo que aconteceu. Este livro tem o depoimento de cada um dos 16 que sobreviveram, a visao de cada um para o que aconteceu, o que aconteceu na vida de cada um apos o acidente, quais as consequencias e as licoes aprendidas por ter vivido entre a vida e morte durante 72 dias e ter que, para sobreviver, se alimentar dos corpos dos amigos mortos. Quando aconteceu o acidente eu era uma garota de 11 anos e so agora, lendo o livro, descobri que os passageiros daquele aviao tinham entre 18 e 25 anos, eram garotos e isso torna a historia ainda mais incrivel. Em muitas partes do livro chorei, consegui em alguns momentos me transportar para o local do acidente e me colocar no lugar deles, embora saiba que ninguem e capaz de sentir o que eles sentiram apenas lendo um livro. Duante os 72 dias nas montanhas geladas eles formaram uma sociedade, “A Sociedade da Neve” onde descobriram o que era trabalho em equipe, amor ao proximo, solidariedade, sonhos, forca do pensamento, fe etc. Mais do que um relato emocionante o livro e uma licao para quem le.
 
Algumas frases retiradas de alguns relatos: (farao mais sentido quando voces lerem o livro)
 
Aprendi para sempre que quando voce se sente perdido na imensidao, isso e apenas um sentimento”
“La em cima, na mais absoluta miseria, encontrei a resposta, aprendi como preencher esse vazio, e anotava o que iria fazer se sobrevivesse, como ia preencher aquele vazio, sem cair nas tentacoes FACEIS e FUTEIS da sociedade convenvional”
” Que o amor nao se divide mas se agigante”
” Me dei conta de que o que nao se diz provoca dor e que falar cura”
” Conheci na propria pele o que e o poder da mente. Comprovei como e verdadeira a frase que diz: viver nao basta; o que importa e sonhar”"
” Fui aos poucos conhecendo o poder que a mente exerce sobre o corpo”
” O Ser Humano e capaz de se adaptar a qualquer coisa. Para o bem e para o mal”
” A passagem do tempo so tem bilhete de ida”
” O que voce acredita serem seus limites acabam determinando as suas fronteiras”
” O mais paradoxal e que a verdadeira paz so chega quando paramos de correr atras dela”
” Se o inferno existe ele nao e feito de fogo; e escuro e feito de gelo”
” O tempo e um bom cicatrizante, caso contrario viveriamos ancorados na dor, de tragedia em tragedia, e nao resistiriamos”

Shakespeare and Company

Quem adora livros geralmente adora tambem bibliotecas e livrarias nao eh mesmo? Eu adoro! Ha alguns anos eu tive a alegria de morar em Paris, e um dia passeando pelas ruas do Quartier Latin eu entrei em uma livraria, com portas bem pequena mas dentro havia altas paredes forradas de livros e uma atmosfera encantadora, subindo as escadas entre os livros havia uma cama com uma cortina vermelha na frente, um outro comodo com um piano, uma maquina de escrever para quem quisesse usar, e uma parede forrada de recados em diversos idiomas.
Sai de la encantada e fui pesquisar sobre o lugar. Era a livraria mais famosa de Paris, a Shakespeare and Company. Considerada abrigo da “geração perdida”, de autores como Ernerst Hemingway, Ezra Pound, Scott Fitgerald e Gertrude Stein e muitos outros. A cama com a cortina vermelha que eu vi, abrigava os escritores recem chegados em Paris que nao podiam pagar um comodo na cidade. A livraria que eh especializada em livros em ingles foi fundada em 1951 pela americana Sylvia Beach, e logo depois passou as maos de George Whitman. Famoso pela sua ecentricidade e generosidade, que fez da livraria, um encontro entre artistas e escritores de todo o mundo. E pelas paredes esta impresso o seu lema:
“Be not inhospitable to strangers / Lest they be angels in disguise.”
Shakespeare and Company continua com o mesmo principio, nao so de vender livros mas tambem de reunir amantes da literatura. E por todo ano existem programacoes de varios eventos literarios, que podem ser encontradas no site: http://www.shakespeareandcompany.com/index.php .

As fotos foram tiradas do Facebook da livraria, e nao havia o credito para o fotografo.

PS: Perdoem a falta de acentos, esse teclado nao fala bem Portugues ;) .