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     Vou falar sobre o genero literario mais criticado e que mais assusta as pessoas e que eu, ate hoje, nao entendi bem porque. A verdade e que as pessoas, algumas mesmo sem nunca ter lido um livro de auto ajuda, colocam todos os autores no banco dos reus. As vezes a pessoa ate gosta do genero mas nao comenta e jura de pes juntos que nunca chegou perto de um com medo de ser discriminada. Sempre tenho a impressao que existe um certo mal estar em se falar de livros de auto ajuda e uma sensacao ainda maior que os que criticam pensam que os leitores deste genero literario sao pessoas inseguras, frageis, perdidas, e que querem respostas prontas…ledo engano.

     Concordo que nem todos os livros de auto ajuda sao recomendaveis. Encontramos muitos livros de auto ajuda realmente horriveis, assim como tambem encontramos romances, biografias, livros de ficcao, terror e ate livros infantis que, na nossa opiniao, nao deveriam ser publicados. Isso me faz lembrar de um livro de auto ajuda que no momento esta sendo muito vendido mas que eu nao tenho interesse em ler. Primeiro porque duas pessoas proximas leram e nao recomendaram, mas claro que isso nao seria motivo para nao ler o livro e ter a minha propria opiniao. Talvez se eu folheasse displicentemente este livro em uma livraria, ate comprasse, mas uma das  pessoas que leu contou detalhes das observacoes finais do autor e isso fez toda a diferenca. Nao gosto e nunca gostei de qualquer tipo de alienacao e nao  suporto pessoas que tentam arrebanhar seguidores seja  padre, pastor, lider de seita ou um escritor (verdade cega e assustador). O nome do livro nao vem ao caso porque o post e para falar de um genero literario e nao de um livro em especial  e gerar polemica.

      Os livros de auto ajuda sao escritos para descrever uma situacao e nao para resolver o problema particular das pessoas. Quem procura em um livro, em um terapeuta, na religiao ou seja la onde for a solucao imediata e magica dos seus problemas com certeza vai se decepcionar (o processo e mais longo, mais profundo e muito pessoal)  Algumas pessoas que leem livros de auto ajuda  estao atras, apenas, de auto conhecimento e eu me coloco entre estas pessoas porque nao me lembro de ter lido algum livro por estar passando por algum problema serio, crise de depressao, sindrome disto ou daquilo mas sempre absorvi o que de melhor o livro tinha a oferecer. No caso das pessoas que leem livro de auto ajuda quando estao com alguma dificuldade, seja na area afetiva, emocional, profissional ou existencial ele tambem  se mostra  eficaz na medida que faz a pessoa meditar, se questionar, rever suas crencas e muitas vezes o que parecia um problemao  da uma clareada. Em alguns casos a pessoa so vai conseguir clarear os pensamentos com um profissional da area de psicologia ou psiquiatria mas alguns preferem ler a ouvir, outros leem e ouvem e outros entram no labirinto da mente e acham o caminho de volta sozinhos (cada caso e uma caso).

       Alguns autores andam preocupados porque as pessoas, no seu preconceito, andam classificando alguns livros de psicologia, psiquiatria, pedagogia e filosofia aplicada como livros de auto ajuda…sim, eles sao de “Auto Ajuda” porque ensinam muito para quem os le mas o que os autores nao gostam e do tom pejorativo que dao a expressao “Auto Ajuda”.

       Estes dias, lendo um livro, vi a seguinte frase: “Somos treinados  ser servos no unico lugar em que deveriamos ser senhores…nossa mente”. Eu penso que um bom livro sobre auto estima, inteligencia emocional, gerenciamento emocional ou seja la que titulo tenha, em muito contribui para aprendermos a sermos um pouco senhores da nossa mente. Afinal, nem o mais ilustre dos psiquiatras e tao bem resolvido assim.

Quando volto ao Brasil, além do sol, estar com a família e rever amigos, busco livros. Passear entre as estantes e mesas cheias de livros escritos em Português me dá tanto ou mais prazer quanto o toque do raios de sol na minha pele ou a sensação água morna do mar da Bahia. Dessa vez saciei minha sede quase por completo. Não fiz conta de peso, nem de bolso e garimpei coisas interessantes. Vejam a listinha:

  • Perto do Coração Selvagem, Clarice Lipector: Romance de estréia da autora e  um marco na literatura brasileira. Tem que estar na prateleira, não é mesmo?
  • A Bela e a Fera, Clarice Lispector: 8 contos de Clarice, escritos entre 1940 e 1941
  • Clarice na cabeceira, Clarice Lispector: seleção de textos para ficar sempre perto para inspiração.
  • A Hora da estrela, Clarice Lispector: O último romance da autora que  tem um filme homônino.
  • O Seminarista, Rubem Fonseca: O autor dispensa comentários e nesse romance, ele vem no melhor do seu estilo. Saiba mais sobre o livro no video abaixo.

As linhas do Brasil

Onde estaria o limite entre a literatura e a aquitetura?

Bem, não sei a resposta pra essa pergunta, mas acho não podemos negar que o bom amante das letras, aprecia com prazer um belo traço arquitetônico  e se emociona com  a arte da criação, seja ela qual for.

Por isso não resistí em fazer esse post sobre o Oscar Niemeyer.

Tive o prazer de assistir recentemente A VIDA É UM SOPRO, um documentário bem despojado sobre a obra do artista, onde a gente tem a chance de conhecer melhor a sua trajetória profissional e suas deliciosas curiosidades da vida pessoal.

O filme não poderia ser de outra forma: simples, descontraído e ousado, assim como o seu personagem principal. Através da sua linguagem informal e atraente, Oscar Niemeyer nos faz viajar através do significado poético e sensual das formas e linhas da sua obra, com muita inteligência, filosofia, personalidade e inovação.

No fim do filme, Niemeyer diz que o que importa mesmo nessa vida é a mulher, e isso me impressionou profundamente. Acho que depois de te-lo visto falar tão profundamente e de maneira tão intensa sobre sua obra, me esquecí por alguns minutos que ele é, acima de tudo, um homem, e um ser humano como todos nós. Finalizar seu discurso ressaltando a importância da mulher,  só fez comprovar sua delicadeza e alma sedutora.

Recomendadíssimo!

 

Dá-lhe Clarice!

Clarice Lispector é a campeã de cliques nesse blog. Ela está sempre em primeiro lugar entre os posts mais lidos e palavras procuradas nos mecanismos de busca. Como mulher e escritora, acho que ela encontrou aqui o lugar certo.

E para manter a tradição, posto aqui esse video que encontrei  e que traz trechos de obras e entrevistas da escritora:

O Amor em Tempos de Cólera

Há poucos dias conheci o Gabriel García Márquez, quer dizer eu o conheci da mesma maneira que conheci grandes nomes da literatura, pelos livros. E mais uma vez foi graças ao Entre Mulheres e Letras. No começo pensei que pudesse ser romanceado demais, tipo aquele romance romantico de José de Alencar que pinga ilusão.
Pausa para sinopse:
“Florentino Ariza ainda jovem se apaixonou perdidamente por Fermina Daza. Entretanto, como Florentino apenas trabalha numa agência dos Correios, ele não é visto como um bom partido por Lorenzo Daza , pai de Fermina. Florentino pede Fermina em casamento, e ela aceita. Ao saber disto Lorenzo a envia para a fazenda de sua prima Hildebranda Sanchez, onde fica alguns anos. Florentino aguarda o retorno de sua amada mas, quando a reencontra, ela diz que nada quer com ele. Fermina passa a ser cortejada por Juvenal Urbino, um médico que luta para evitar a disseminação da cólera. De início ela não se interessa, mas posteriormente eles se casam e constituem família. Simultaneamente Florentino aguarda que Juvenal morra, para que possa enfim se casar com seu grande amor.”

Essa espera demora mais de 50 anos que ela vive sua vida normalmente e ele se dedica ao dia em que poderá conquista-la. Se tivesse sido escrito por outro talvez não seria abordado de uma maneira tão interessante, mas mais que me apaixonar pelo contexto eu me apaixonei pelo estilo de Gabriel García Márquez. Que é tão envolvente e te leva para dentro da vida aqueles personagens, e te deixa com saudade quando o livro acaba. Eu quero ler tudo de Gabriel, quero conhecer melhor o que tanto me encantou.
Depois de ler o livro, assisti o filme. E sempre vem as comprações, e sempre ouço falar, o livro é muito melhor que o filme. Eu vejo como duas coisas muito distintas e acho até injusto uma comparação. Demorei cerca de uma semana para ler o livro degustando as informações e o filme pode ser visto em cerca de 2 horas. É claro que o livro é mais complexo, o filme deixou várias informações fora e é uma adaptação, acaba atropelando um pouco a nossa própria idealização dos personagens e lugares. Mas deixando as comparaçòes de lado, também gostei do filme. E tinha lá Fernanda Montenegro interpretando Tránsito Ariza a mãe de Florentino Ariza que é interpretado por Javier Bardem, que eu particularmente adoro.
Eu recomendo o livro, o filme e recomendo ainda mais Gabriel García Márquez!

O Caçador de Pipas

Equanto me dedicava ao holandês, ele ficou paradinho, encostado na prateleira por mais de um ano, junto ao livros em português que trouxe do Brasil. Quando corri os meus dedos na estante em busca de algo para ler, tinha sede de algo em minha língua, algo que à primeira vista tivesse um significado facilmente reconhecido, assim como um sorriso de mãe, da língua-mãe. E foi assim mesmo que aconteceu. Peguei “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini e as palavras, como melodias doces, me atraíram de primeira.

A bela e conturbada saga de Amir além de me comover, me pegou de jeito. Amir, narrador da história, é um menino afegão que, apesar de uma infância afortunada, era atormentado pela luta pelo amor do pai e pela culpa por ter traído Hassan, seu melhor amigo. Hassan, menino pobre, empregado de Amir e de etnia discriminada no Afeganistão, é o símbolo de honra, honestidade, coragem e de verdadeira amizade. Os seus caminhos se cruzam e se afastam e nos revelam, entre as eventuais lágrimas, sentimentos como amor, amizade, honra, traição, culpa, perdão e redenção.

O livro também nos dá uma oportunidade de ver o Afegansitão por uma outra lente. Depois de ver tantas imagens de cidades destruídas, foi difícil e ao mesmo tempo reconfortante imaginar a beleza da paisagem e a riqueza dos aromas e sabores descritos no livro.

Mergulhando na sua cultura e conflituosa história, encontramos a beleza do passado e ao mesmo tempo, a crueldade da intolerância e das guerras. Revela-se um panorama histórico e político do país; desde os anos 70 até a queda das Torre Gêmeas e a expulsão dos Talibãs pelas Forças Aliadas com o apoio da Aliança do Norte.

Essa entrará na minha galeria de histórias inesquecíveis. Recomendo.

Primeiro Aniversário

Há um ano, algumas de nós nos encontrávamos pela primeira vez, com um ideal, a leitura. Era um domingo e caia uma neve fininha, uma por uma ia chegando, se acomodando e se conhecendo, e quase que instantaneamente estávamos todas a vontade em meio de muito papo, e as horas voaram. E foi assim desde esse dia, sempre quando nos encontramos as horas parecem voar. Foram 4 encontros oficiais para troca de livros, um comemorativo de aniversário, outros tantos ‘extra oficiais’, dezenas de livros lidos, muitas experiencias de vida compartilhadas, muitos vinhos abertos e uma grande cumplicidade se formou nesse grupo, cumplicidade e amizade!
Completamos o primeiro ano do clube do livro Entre Mulheres e Letras, e o desejo é que venham muitos outros anos como esse, cheio de harmonia,de belas histórias e estórias, sempre aprendendo algo novo com os livros e com a vida.

Primeiro encontro- 30 de Novembro de 2008

PS: Foto do primeiro encontro, depois disso tivemos a também a Camila como integrante e a Lara que não estava presente nesse dia.

O Símbolo Perdido

O novo livro de Dan Brown é tudo aquilo que eu esperava e mais. Seguindo o mesmo estilo que é marca registrada do autor, com capítulos curtos e extremamente intrigantes, é impossível deixar o livro de lado.

A história se passa em Washington D.C. O professor e historiador Robert Langdon mais uma vez precisa solucionar um crime: o sequestro de seu amigo Peter Solomon. O thriller fala de maçonaria, símbolos ocultos, rituais secretos, ciência, arte e religião.

O Símbolo Perdido é um livro involvente, surpreendente, recheado de mistério, suspense e fatos históricos. Achei que o final se prolongou um pouco mais que o necessário, mas nada que afete a impressão geral.

E, assim como os outros dois grandes sucessos de Dan Brown (O Código da Vinci e Anjos e Demônios) a leitura é tão cativante que, enquanto você não terminar o livro, vai ser a pessoa mais anti-social do mundo. Depois não digam que eu não avisei…

 

PS – para quem gosta de símbolos, vale a pena entrar no site do livro e jogar o joguinho “Symbol Quest”. Divertidíssimo! http://www.thelostsymbol.com/main.html

vaiencararMelhoramentos

Claudia Matarazzo / consultoria de Mara Gabrilli

 

Ganhei esse livro de uma amiga querida super engajada na causa das pessoas com deficiência. Escrito por Claudia Matarazzo, especialista em etiqueta e comportamento, o livro fala de inclusão e tenta reduzir a barreira entre os dois mundos. E, como não podia deixar de ser nesse caso, a edição impressa vem com audiolivro!

Recheado de estórias de pessoas com as mais diversas deficiências, o livro ajuda a diminuir a áurea de mistério que rodeia o tema. Te faz pensar nas simples mudanças que poderiam ser feitas para integrar essas pessoas à sociedade, e em como coisas que para nós são simplíssimas (como passar numa catraca, ou ler um cardápio em um restaurante), e para outros, longe disso. Os pontos mencionados vão desde coisas básicas como a importância da vaga para deficientes em estacionamentos (que todo mundo tem obrigação de saber e respeitar) e cardápios em braile, até a integração dessas pessoas em escolas e mercado de trabalho.

O melhor do livro é o sentimento de querer fazer alguma coisa pra ajudar que desperta a cada capítulo!

No mundo todo, há uma população de 386 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Só no Brasil, são 24 milhões. E por mais que aos poucos as coisas estejam melhorando, já está mais que na hora dessas pessoas deixarem de ser invisíveis.

Termino o post com uma frase retirada do site do Movimento SuperAção:

 ”Daqui à 20 anos, o homem será capaz de viver na lua, em outros 40 anos, o homem será capaz de viver em Marte. No próximo século, poderemos cruzar os limites do sistema solar, à procura de novos mundos. Mas enquanto isso, realmente queremos ir ao supermercado, ao cinema, num restaurante. ” – Stephen Hawking – Cadeirante

45602gMemórias com sabor, aroma e intensidade. Essa seria a minha curta descrição de Relato de um Certo Oriente, de Milton Hatoum. Gosto de tentar resumir coisas em uma frase, uma palavra, uma imagem. Mas resumir ou resenhar  o primeiro deste autor nascido em Manaus com ascendentes Libaneses, é tarefa nada fácil.Para mim foi uma experiência super (ou extra) sensorial

O relato é o  de uma mulher que volta a sua cidade natal após 20 anos de ausência e ao comunicar a morte da seua mãe adotiva, reconstrói numa carta para o seu irmão que mora em Barcelona, as memórias e histórias da família. Não só as suas, mas também as de outras pessoas.

Ao descrever os fatos que de desenrolam após a sua chegada, ela os embaralha com relatos também de outros personagens. Assim, as relações e tensões familiares tecem uma teia que lhe prendem e lhe fazem viajar entre os dois lados do rio em Manaus, entre o Oriente e o Ocidente e entre o ambiente exterior e o mais íntimo dos personagens.

A narração se divide entre várias vozes e para evocar o passado, o autor usa e abusa de aromas, sabores,  gestos e detalhes. Mas não espere algo em ordem sempre cronólogica.

A memória nos prega peças e muitas vezes precisamos da ajuda de outros para relembrar o ocorrido. Esta é a mágica desse o romance.Um tapete que vai sendo tecido através de muitos olhares e outros relatos. Assim vão aparecendo o conflitos entre parentes, línguas, culturas e classes sociais.

Não se preocupe em entender ou gravar todos os nomes e histórias,saboreie os parágrafos e deixe-se embrenhar nas muitas histórias. Desta forma, você conhecerá a história de Emelie, a matriarca, centro do enredo e eixo ao redor do qual toda a família orbita. Também o alemão Dorner, o fotógrafo, amigo da família, que retrata as belezas e agonias da terra. Hindié Conceição, amiga de Emelie e companheira de velhice, sempre presente. Os seus filhos, marido e em particular o filho mais velho, único a aprender o árabe e que ironicamente, foi o que mais se afastou. Além de outros fatos marcantes e tragédias que marcaram a família e a infância da narradora.

Para completar, assista abaixo uma entrevista com o autor :

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