Trem noturno para Lisboa

trem-noturno-para-lisboaEstranho e belo, esse não é um livro que agrade a todos. A odisseia de Mundus reserva momentos de extrema introspecção.  Essa é a história de um professor de línguas clássicas que de repente abandona a sala de aula e o seu mundo certinho e monótono, embarcando num trem noturno para a desconhecida Lisboa.

Depois de um encontro com uma suposta suicida numa ponte na pacata cidade de Berna na Suíça, ele cai de amores, não pela mulher, mas pela palavra “Português”; pela pronúncia, melodia, prosódia. Assim, decide aprofundar-se mais e numa livraria, se apaixona ainda mais pela língua quando descobre um  livro do médico português, Amadeu de Prado.

Estranhezas

À medida que lê os dilemas e reflexões filosóficas do autor português, Mundus questiona a si mesmo e nos põe também em xeque.  Aliás, essa é uma das estranhezas do livro,  mal sabendo Português, ele consegue decifrar textos extremamente complexos.  Tá bom, ele é um professor de línguas clássicas, mas mesmo assim, é duro de acreditar que isso fosse possível.  Esse fato me incomodou? Um pouco, no início.  Mas depois que entramos no universo do atormentado Amadeu, seus amigos, parentes e nas histórias do duro período da ditadura portuguesa, somos levados pelo enredo. Também isso não tira em nenhum momento a beleza do livro.

Viagem emocional

A estranha história de Mundus encanta pelas belas palavras, mas também por dar aquela pontinha de inveja ou admiração. Quem pelo menos uma vez na vida não quis deixar  (ou deixou) tudo para trás e tomar um caminho desconhecido? Recomendo a leitura, mas aviso que não é uma história apenas sobre uma viagem física. Prepare-se para uma viagem através de emoções, sentimentos, questionamentos filosóficos – alguns nada originais, por sinal.  E aviso: vai dar trabalho, mas também muito prazer.

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Um comentário

  1. ADOLPHO DIAS

    Legal. Você entendeu.
    Após bom início, parece que vai rolar mais um best seller morderninho , quase vira auto ajuda, até se firmar com a velha e boa “suspension of disbelief”, acho que é isso.
    Culmina com o belíssimo texto de “Amo as catedrais… ” e as “cenas” que todo rato de livraria , biblioteca, dicionário e gramática tanto gosta.
    Valeu a leitura, não acho que perdi tempo não, afinal gosto de tipos esquisitos, xadrez, livros, lembranças, escolas, velhos, velhas paixões..
    Também tivemos ditaburras.

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