Categoria: Literatura Estrangeira

A Sociedade da Neve

Os dezesseis sobreviventes da tragédia dos Andes contam toda a história pela primeira vez

A sociedade da neve - livroAinda lembro do livro de capa dura meio esverdeada que recebi do Clube do Livro nos anos 80. Os Sobreviventes dos Andes, de Piers Paul Read, narrava a inacreditável história de um grupo de jovens uruguaios que tiveram que recorrer à antropofagia para sobreviverem a um acidente aéreo na Cordilheira dos Andes. A história me impactou tanto que tive que ver o filme Alive mais de dez anos depois. Isso ficou por muito tempo na minha cabeça.

A verdade é que essa é uma história que chocou e impactou todo o mundo. Alguns, apenas pelo detalhe grotesco do canibalismo, outros, pela capacidade de sobrevivência do ser humano ou pela força de um grupo em uma situação de catástrofe. Enfim, existem diversas histórias dentro nesse incrível acontecimento. Pablo Vierci, que foi colega de escola de vários dos sobreviventes, conseguiu mostrar os mais diversos ângulos; ou pelo menos a versão de cada sobrevivente.

O autor começou o seu relato em 1973 mas, devido à comoção provocada, congelou o seu projeto. Quase quarenta anos depois ele ressurge com o mais completo relato do ocorrido. Mas para entender, precisamos voltar ao ano de 1972.

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Trem noturno para Lisboa

trem-noturno-para-lisboaEstranho e belo, esse não é um livro que agrade a todos. A odisseia de Mundus reserva momentos de extrema introspecção.  Essa é a história de um professor de línguas clássicas que de repente abandona a sala de aula e o seu mundo certinho e monótono, embarcando num trem noturno para a desconhecida Lisboa.

Depois de um encontro com uma suposta suicida numa ponte na pacata cidade de Berna na Suíça, ele cai de amores, não pela mulher, mas pela palavra “Português”; pela pronúncia, melodia, prosódia. Assim, decide aprofundar-se mais e numa livraria, se apaixona ainda mais pela língua quando descobre um  livro do médico português, Amadeu de Prado.

Estranhezas

À medida que lê os dilemas e reflexões filosóficas do autor português, Mundus questiona a si mesmo e nos põe também em xeque.  Aliás, essa é uma das estranhezas do livro,   Continuar lendo

As histórias de Rosa Montero

Rosa Montero

Foi deliciosa a estreia da literatura de Rosa Montero na minha vida através de História de Mulheres.

O livro é fruto da série de artigos publicados pela autora em El País Semanal, em versão ampliada, sobre a vida de 15 mulheres que a tocaram de algum modo, fazendo-a “refletir, viver, sentir”.

Rosa Montero fez renascer minha paixão por biografias, há tempos adormecida, desde quando li a biografia de Camille Claudel, aos 16 anos.

A delícia de descobrir a vida real, a vida de cada dia, de homens e mulheres de carne e osso, com qualidades e defeitos, e de encontrar numa linha, num parágrafo ou num capítulo um pouco (ou muito) de nós mesmos.

O livro me fez perceber que, de fato, todos escrevemos nossa história, a cada dia, a cada escolha, a cada desafio que enfrentamos e a cada solução que encontramos. E são essas atitudes que nos tornam únicos.

As mulheres escolhidas por Rosa Montero são mulheres únicas e por isso especiais. Recomendo à título de identificação, análise e reflexão, principalmente acerca da postura feminina na sociedade e pela maneira fluente, clara e atraente da escritora/tradutora em expressar suas ideias e nos transportar para outras vidas de forma tão contagiante.

Espero em breve ler a biografia completa de algumas das mulheres do livro.

Jannie Regnerus. A arte da observação

Jannie Regnerus

O que dizer de alguém que imagina e executa um por do sol particular? Ou pede ao pai que semeie algumas canetas no campo para que a sua história finalmente nasça?

Essas são apenas algumas idéias da artista plástica e escritora Jannie Regnerus que viraram obras de arte em forma de video ou fotos. Assisti o documentário  It Riedsel, do diretor Pieter Verhoeff na Tv Holandesa e fiquei intrigada, para não dizer apaixonada pelas suas observações.

Het Geluid van vallende sneeuwEscritora premiada, nasceu na Província de Gronignen, na vila de Oudebildtzijlel. Em 2006, lançou o livro ‘Het Geluid Van Vallende Sneeuw’ Herinnering aan Japan ( O Som da Neve que Cai. Lembrancas do Japão), um livro que narra as suas experiências de expatriada no Japão. Esta publicação seguiu o lançamento de um outro livro em 2005, De Volle Maan als Beste Vriend´ Twee jaar in Mongolië, (A Lua cheia como melhor amiga. Dois anos na Mongólia). Os dois já estão na minha listinha de desejos. Ela é uma perspicaz observadora e é capaz de ver e trasnformar em arte o que nos passa despercebido na loucura do dia-a-dia. Como por exemplo, as similares linhas amarelas de mostarda que são espremidas sobre os croquetes holandeses. Imagina as suas observações num país estranho!

Um outro projeto interessante Continuar lendo

Férias. Entre o sol e livros

Quando volto ao Brasil, além do sol, estar com a família e rever amigos, busco livros. Passear entre as estantes e mesas cheias de livros escritos em Português me dá tanto ou mais prazer quanto o toque do raios de sol na minha pele ou a sensação água morna do mar da Bahia. Dessa vez saciei minha sede quase por completo. Não fiz conta de peso, nem de bolso e garimpei coisas interessantes. Vejam a listinha:

  • Perto do Coração Selvagem, Clarice Lipector: Romance de estréia da autora e  um marco na literatura brasileira. Tem que estar na prateleira, não é mesmo?
  • A Bela e a Fera, Clarice Lispector: 8 contos de Clarice, escritos entre 1940 e 1941
  • Clarice na cabeceira, Clarice Lispector: seleção de textos para ficar sempre perto para inspiração.
  • A Hora da estrela, Clarice Lispector: O último romance da autora que  tem um filme homônino.
  • O Seminarista, Rubem Fonseca: O autor dispensa comentários e nesse romance, ele vem no melhor do seu estilo. Saiba mais sobre o livro no video abaixo.

O Caçador de Pipas

Equanto me dedicava ao holandês, ele ficou paradinho, encostado na prateleira por mais de um ano, junto ao livros em português que trouxe do Brasil. Quando corri os meus dedos na estante em busca de algo para ler, tinha sede de algo em minha língua, algo que à primeira vista tivesse um significado facilmente reconhecido, assim como um sorriso de mãe, da língua-mãe. E foi assim mesmo que aconteceu. Peguei “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini e as palavras, como melodias doces, me atraíram de primeira.

A bela e conturbada saga de Amir além de me comover, me pegou de jeito. Amir, narrador da história, é um menino afegão que, apesar de uma infância afortunada, era atormentado pela luta pelo amor do pai e pela culpa por ter traído Hassan, seu melhor amigo. Hassan, menino pobre, empregado de Amir e de etnia discriminada no Afeganistão, é o símbolo de honra, honestidade, coragem e de verdadeira amizade. Os seus caminhos se cruzam e se afastam e nos revelam, entre as eventuais lágrimas, sentimentos como amor, amizade, honra, traição, culpa, perdão e redenção.

O livro também nos dá uma oportunidade de ver o Afegansitão por uma outra lente. Depois de ver tantas imagens de cidades destruídas, foi difícil e ao mesmo tempo reconfortante imaginar a beleza da paisagem e a riqueza dos aromas e sabores descritos no livro.

Mergulhando na sua cultura e conflituosa história, encontramos a beleza do passado e ao mesmo tempo, a crueldade da intolerância e das guerras. Revela-se um panorama histórico e político do país; desde os anos 70 até a queda das Torre Gêmeas e a expulsão dos Talibãs pelas Forças Aliadas com o apoio da Aliança do Norte.

Essa entrará na minha galeria de histórias inesquecíveis. Recomendo.

Saldo de férias

Já voltei várias vezes de férias com livros intocados. Eram quase como aquelas roupas que a gente leva por segurança, mas tem certeza que não vai precisar. Dessa vez foi diferente. Levei mais livros do que li, mas mesmo assim o saldo foi positivo. Acabei de ler dois e li, quer dizer, devorei em um dia, outro. Vejam só:

Sushi – Marian Keyes

sushiFalando em férias, este é o perfeito companheiro de viagens. Leve e sem qualquer pretensão de grande literatura, nos faz rir e de, certa forma, exalta o nosso lado mulherzinha. Sushi conta a história de  três mulheres: Lisa, uma ambiciosa editora de moda revoltada por ter sido transferida de Londres para a Irlanda. Clodagh, a mulher linda, com a família perfeita, marido bom-demais-pra-ser-verdade, casa maravilhosa e mesmo assim, insatisfeita. Ashling, a ingênua e boazinha que encara um novo desafio profissional. A autora, com um humor ferino e feminino, torna a leve trama irresistível. Se você procura uma leitura sem complicações e com engraçadas emoções, recomendo fervorosamente.

Terug naar de Kust – Saskia Noort

Um thriller holandês pra manter a língua batava em dia e melhorar o vocabulário. Uma cantora com uma carreira medíocre começa a ser ameaçada após fazer um aborto. Com medo, ela volta para a casa de sua irmã numa pequena vila na costa da Holanda, onde viveu uma história familiar complicada e um infância infeliz. O livro cumpre o papel da literatura do genêro. Também é interessante ler um história tão holandesa e reconhecer os hábitos, a rotina,os nomes de rua, cafés e cidades. Mas, achei o final óbvio demais e descobri o autor das ameaças muito antes das últimas páginas.

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