Sétima arte

 

Ensaios sobre a Cegueira

Ensaio sobre a Cegueira

 

Como ainda estou buscando uma maneira mais agradável de ler os maravilhosos livros do Saramago, não me sentí nem um pouco culpada em assistir primeiro o mais recente filme de Fernando Meirelles ( Blindness), antes de ler o livro que serviu de base para o filme (Ensaio sobre a Cegueira).

Já sei que muita gente adorou o livro mas eu ainda estou no meu processo de aceitação do estilo de escrita do Saramago.

O filme por sua vez, é absolutamente fantástico. Dou nota 10 pra todos os quesitos. Fernando Meirelles conseguiu penetrar no incrível imaginário-mundo de Saramago, onde coisas pra lá de inimagináveis acontecem como se fossem as mais sérias e realistas, fazendo o telespectador refletir e filosofar sobre a vida em sociedade, sobre possiblidades infintas e decisões fatídicas.

Pra quem não conhece, o livro (e o filme) falam sobre um lugar onde, de repente, as pessoas vão ficando cegas, como uma espécie de surto. Tudo parece tão real e possível que você começa a imaginar se isso realmente acontecesse, quais seriam as consequências.

Os atores são muito mais do que convicentes.  Maravilhosos.

O desencadear dos fatos, cenário, enfim, todo o filme nos tem muito a acrescentar sobre posturas, conceitos, valores, pudores e sentimentos.

Espero que aqueles que já tenham lido o livro não se sintam desapontados com o filme (o que acontece muitas vezes), porque afinal, o que se escreve em 20 páginas, pode ser mostrado em 20 segundos, e porque o cinema é uma arte própria, com suas características incomparáveis.

Temos sempre que lembrar que, quando lemos, obviamente criamos uma imagen dos personagens, dos lugares, das cores e até cheiros. Ao assistir um filme que a gente já leu sobre, podemos sentir uma certa frustação, um certo choque com a visão do diretor e a nossa visão sobre aquela história. E aí achamos o filme fraco, ruim. Mas na verdade, devemos tentar – pelo menos eu faço isso -, entender que a arte cinematográfica tem seus critérios e suas técnicas. Muitas vezes não é preciso que o ator fale, mas apenas o cenário, o fundo musical, a lente da câmera já são suficientes para descrever um sentimento que o autor do livro precisou de muitas páginas.

Enfim, esse filme tem muitas nuances nesse sentido. Um gesto, uma luz, um foco da câmera mais diferente, pode dizer muito sobre o que o diretor pensou.

Vale a pena conferir.

 

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  1. Camila

    Também adorei o filme! E acho que faz juz ao livro. Pra mim foi estranho assistir ao filme porque ele foi gravado em São Paulo, então eu reconheci muitos dos lugares que no filme eram para ser em uma cidade indefinida.

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