da morte

Por acaso vou continuar falando do Saramago. Acabei de ler As Intermitências da Morte e gostei muito. É um livro sobre a morte, mas não é um livro triste. Como sempre, me diverti muito com o Saramago. Este é o terceiro livro da ‘trilogia’ em que ele subverte e leva ao extremo algum aspecto de nossas vidas. O primeiro foi o livro dopost da Fernanda abaixo, Ensaio sobre a Cegueira. Depois veio Ensaio sobre a Lucidez, em que de repente uma cidade inteira resolve votar em branco sem nenhum acordo prévio. E agora as pessoas param de morrer de uma hora para outra. O livro é sobre a morte mas ela, a morte (com letra minúscula como no livro, porque a Morte mesmo é outra) é uma personagem humana, com desejos, sentimentos e defeitos. O livro é dividido em duas grandes partes e na segunda a morte se torna sua personagem principal. Confesso que achei essa parte um pouco cansativa, mas depois fiquei pensando e cheguei a conclusão de que ali talvez houvesse a intenção de esticar o livro como quem quer evitar a morte (do livro, daestória , da vida…). O final me surpreendeu e não vou contar aqui pra não estragar. Um final lindo, lírico e nada triste. A morte é humana.
Sempre achei os narradores de Saramago interessantes e não deixa der o caso aqui. O narrador também é humano, apesar de ele ser aparentemente onisciente ele não é imparcial de jeito nenhum. Ele tem intenções, ‘esquece’ de contar uma parte da história para lembrar dela mais tarde, se engana ao fazer descrições e depois corrige. Ontem conversando com uma amiga sobre isso, chegamos a conclusão de que talvez seja por isso que os livros do Saramago tenham essa capacidade de nos emocionar tanto: o narrador fica muito mais próximo, é uma pessoa te contando uma história e não uma ‘entidade’. Dificilmente eu chego ao ponto de chorar ou rir quando estou lendo, mas o Saramago já me deixou bastante emocionada e triste várias vezes e já fez me fez rir muito mais. Não rir de palhaçada boba, mas da ironia e das inteligentes relações que eles faz entre coisas, relações que eu dificilmente faria sozinha.
E por acaso, ou não, um pouco antes de ler esse livro eu assisti Stranger than Fiction, um filme bem interessante que também trata da morte (ou da vida) de uma maneira bem diferente. E durante o período em que eu estava lendo, o Laerte ainda publicou várias tirinhas no blog dele que pareciam acompanhar muito bem o livro.
Last but not least, deixo aqui a dica para acompanhar o blog do Saramago (sim! e o moço está perto dos 90!).

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