Cartas perto do coração

Cartas Perto do Coração

Cartas Perto do Coração

Num mundo em que a comunicação é sinônimo de instantaneidade e muitas vezes, superficialidade, ler Cartas Perto do Coração nos faz pensar sobre as relações entre amigos. A coletânea de cartas trocadas por Fernando Sabino e Clarice Lispetor durante 23 anos (1946 – 1969) nos abre os bastidores da longa e sensível amizade entre os dois escritores. Também nos revela as inseguranças, dúvidas de dois monstros da literatura brasileira.

As cartas de Clarice foram escritas quando ela morava na Suíça e Estados Unidos. Fernando, por sua vez, também passou um tempo nos EUA. O fato de ter emigrado e estar rodeada de facilidades tecnólogicas, me fez sentir quase que na pele as dificuldades de se manter em contato com os amigos, mas também para trabalhar naquela época. Pedir a opinião sobre um trabalho, revisar provas, mandar anotações. Tudo isso, feito pelo correio. Algo hoje, inconcebível para nós.

No entanto, o tempo de estio entre uma carta e outra parecia só fortalecer a amizade e inspirar os jovens escritores. Ao ver a minha caixa de entrada de emails, confesso que senti uma dolorosa inveja: piadas, as famigeradas apresentações de power point (com som ainda!), emails cheios de abreviações e pressa, que só expressam a falta de empenho e tempo para se dedicar aos amigos.

Voyeur de uma amizade

Mas voltando ao livro,  a experiência de acompanhar a formação dos escritores através das suas informais – e muitas vezes brilhantes – cartas foi muito interessante. Muitas vezes me senti desconfortável, como se estivesse lendo algo tão íntimo que não deveria ser público.  Quase como uma voyeur do sofrimento pessoal e tormento criativo. Admito porém que saber das suas fraquezas, às  vezes me surpreendeu e muitas vezes me confortou. Trechos como os abaixo nos fazem cúmplices dos amigos escritores:

“Não trabalho mais, Fernando. Passo os dias procurando enganar minha angústia e procurando não fazer horror a mim mesma”. Clarice Lispector

“Já ando cansado de ver a minha vida…já ando cansado de ver a minha vida. Quero ver a dos outros também” Fernando Sabino

“Às vezes querer ser humilde demais é a forma mais odiosa de orgulho” Fernando Sabino

“Eu não sei “me dar”, você soube “se dar”. (Sei que estou sendo chatíssima.) E um dos mistérios da arte é que às vezes a gente se dá pelos outros” Clarice Lispector

Mas não só acompanhamos o amadurecimento dos escritores, como as transformações do Brasil,  a evolução do mercado literário brasileiro e dos vários outros escritores da época. Enfim, Cartas perto do Coração é um retrato do amor à arte de escrever e todo o prazer e sofrimento que a envolve.

Título: Cartas perto do coração

Autores: Fernando Sabino/Clarice Lispector

Editora: Record – 5a edição

ISBN: 85-01-91433-9

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  1. ademario

    A velocidade nas relações nos dias atuais é fruto do descompromisso com a vida e os sentimentos do próximo. Há um imenso egoísmo poluindo os ares da vida, por isso talvez seja melhor correr, não se envolver; e ai os resultados são o que se vê na linha abaixo das necessidades humanas. Ninguém se acha por que não se enxergam.
    E quando se trata de arte então!!!: É um tal de: ‘isso é tão lindo! Outros arriscam a dizer que é profundo. Mas ninguém delineia se quer o que se parece com beleza. A profundidade então fica na superfície da agradabilidade corrompida, perdida, desnutrida, enfim, há um reclamar constante e parcerias ausentes…

    A velocidade da Internet é a porta de emergência pra quem anda fugindo até de cima… Esse duradouro ‘fazer sobre coxas’

    Um abraço…

    Ademário

  2. Fernanda

    Realmente as cartas tinham seu charme e romantismo que os emails normalmente não têm. Mas tudo depende de como nós lidamos com eles e com esse ansioso mundo da internet. Eu, por exemplo, nunca me permití usar essas abreviações de palavras quando escrevo um email. Eu não gosto de abreviações (imagina como sofro com o holandês… eles adoram abreviar…). Essa semana mesmo estava discutindo sobre o Twitter. Não me identifiquei com o estilo imediato das mensagens. Acho que a espera pela resposta de uma carta, email, tem sua importância e eu procuro preservar.
    O livro deve ser mesmo fantástico.
    Beijo!

  3. Bailandesa

    Ademario, obrigada pela visita e comentario. Realmente temos que ter cuidado: a tecnologia pode ser muito útil, mas pode sufocar cuidados, apressar o que nao precisa de pressa e atropelar as relacoes. Olha que sou super conectada e amo tecnologia, mas também valorizo o contato pessoal e o tempo dedicado aos amigos.

  4. Bailandesa

    Fê, até me pego usando abreviações e uso Twitter, apesar de ainda estar numa fase de availiação. O que tento fazer é não responder email com pressa. Dar tempo aos amigos, para escrever decentemente. Nem sempre temos o tempo necessário, mas podemos pelo menos ter cuidado e carinho.

    Mas pode ter certeza que o charme das cartas, o cheiro dos papéis, a marca pessoal da caligrafia, tudo isso tem um toque todo especial.

  5. ademario

    Não há o que agradecer. O que me chamou atenção em seu blog são as opções pela arte de quem bem escreve e sabe por que o faz. O fato de demonstrares que poetas, escritores, músicos e de um modo geral todos os artistas são antes de mais nada seres humanos, com todos os problemas de iniciação que nós outros vivenciamos. Não nasceram prontos, lutaram, aprenderam e se esforçam por todo para se nos apresentarem o que há de melhor dentro deles.

    Então a nossa relação com a arte tem que ser no compasso do amor, que se nos invade pelos olhos, pelos poros até alcançar a alma.
    E isso requer movimentos expontaneos e simples. O respeito com o qual devemos nos relacionar com tudo e todos na vida é que revela o nosso próprio modo de ser.

    Quem tem pressa não alcança o orgasmo que a vida oferece…

    Ah! E essa Brasilidade gostosa que senti em seu Blog…

    Ademário – http://www.ademario.wordpress.com

  6. ademario

    Um lembrete tardio sobre um tema permanente…

    mulher@.com.vida//felicidade…
    ***
    Respeitar a Mulher em sua estrutura existencial é mesmo como reverenciar o Sol, aspirar o ar como se fora oração espiritual á sanear o ambiente. Curvar-se ante a chuva e a tempestade, majestades procriadoras do Universo. Se permitir entender os Ventos não só como correio poético, mas nas suas tarefas frequenciadoras ambientais, tais como a temperatura ideal ao nascimento dos frutos, o espalmar ritmado e perfumado das flores; o calor materno e natural oferecido aos pássaros, insetos e meninos e toda gama de animais, vegetais e minerais que compõe o ecossistema existencial.
    Posto que, semente feminina, á resguardar o templo dos destinos, pronta á fecundar a vida e servir-lhe de abrigo, escola, onde os estágios de evolução educadora á rentear ás necessidades humanas, ela se põe á frente de todos os horizontes expectantes de presente e futuro á amparar-nos os passos nos caminhos que a vida oferece.
    E ela Mulher ensaia o enredo da luz, do amor, da alegria e da dor no dia á dia de rotina, decepções e conquistas sob o guante da nossa paternidade reducionista, exclusivista, machista e oportunista, posto que tendemos á não assumirmos responsabilidades naturais, delegando o sacrifício e a dor, o trabalho e o cansaço aquela que chamamos de ideal, vida da nossa vida e outros adjetivos que surgem depois como ficção e engodo…
    É realmente de agradecer ao Criador por ter colocado em nosso encalço, criatura tão bem preparada espiritualmente, nas vertentes de honestidade, sinceridade, singeleza e fé; posto que se o Criador houvera por bem deixar ao macho (homem) a gestação e o parto, a condução amorosa de suas crias, provavelmente teríamos extinto o planeta Terra por omissão e descaso.
    O sexo é a razão da existência, mas não do deleite obsessivo e violento e ou omisso com o qual temos tratado a mulher, de uma maneira geral, considerado é claro as exceções, casos únicos de amor que mora mais próximo da verdade espiritual…
    Hoje, conceder direito á voto e a cidadania, condições de competitividade em parâmetros ainda não tão iguais ao que seria ideal por respeito e solidariedade sadia no que nos exige a ética existência, é o mesmo que jogar a peneira sobre uma história de desmandos e incongruências, é continuar agindo e pensando de modo paternalista ante o direito universal de um ser vivo, bonito, corajoso, determinado e decidido que apenas dá de antolhos aos nossos desvarios e desequilíbrios em obediência e resignação ao compromisso assumido com Deus.
    Assim se abandonarmos o preconceito institucionalizado, e reconhecermos histórica e existencialmente nossos erros e deixarmos de entravar o caminho da Mulher, não estaremos fazendo a lição de casa, mas voltando á sala de aula da vida, enquanto alunos negligentes e descomportados para aprender que essa Mulher não é só corpo, sexo e orgasmo, fetiche, ilusão e fantasia, mas um ser espiritual, intelectual e psicológico…
    Ela, Mulher é a própria Alma da vida, do tempo, do destino, pois foi com Ela que aprendemos á amar, respeitar e se responsabilizar. E por que, quando “adulto” transgredimos as leis do relacionamento, do perdão e do entendimento?
    Pela transgressão em si, pela omissão ou pela violência que reflete uma falsa ideia de mando. Enquanto forem estas as nossas ferramentas, estamos atolados até o pescoço nos abismos da ingratidão…
    E ai:… Dia Internacional da Mulher, Dia das Mães, das Avós e até o dia das crianças, posto que neste também ela se faz representar, são engodos que só refletem a ironia, a covardia de quem quer continuar a auferir lucros de uma ilusão assistida pelo comércio e mantida pela hipocrisia de instituições ditas de respeito e coisa e tal…
    É hora de continuar á refletir sobre isso e de entender que a cria que desrespeita o ventre que lhe deu a vida, abandona o destino de sociabilidade necessário à evolução humana…
    A nossa Pátria Mãe Gentil que não cuida como devia dos óvulos femininos deixando-os á beira de um aborto, que lança seus filhos, por incompetência da direção de educação e trabalho, ás mãos do tráficos e da prostituição, precisa pensar urgentemente que esses filhos não mais “desafiam o peito á própria morte”, posto que esta anda em qualquer esquina, nos ventos de uma bala “perdida” que o tráfico atira na cara da omissão política e pega no destino do povo.
    E nesse caldeirão sem fundo que ferve no fogo da corrupção sobra para a mulher o rescaldo da dor e do sofrimento, atentando todo dia e o tempo todo contra a saúde, a moral e a espiritual que não depende de credo ou religião pra demonstrar que a vida e a mulher são muito mais do que um corpo, um perfil ou um diminuto orgasmo…
    Ela é Alma!
    O ventre da vida
    O óvulo do destino
    A gestação da evolução!
    ***
    Se por ela o nosso coração pulsa
    Sem ela o nosso coração expulsa
    O amor, a liberdade, o respeito.
    O direito, a sanidade e o valor do perdão,
    Da compreensão, da solidariedade,
    Sem ela a amizade perde a noção…
    Alma que tudo envolve como aura da vida
    Mulher menina, idosa e amiga, professora,
    Irmã, juíza e protetora,
    Mamãe, vovó e polícia,
    Cria, recria e gesta a vida como tem que ser,
    Peço á Deus o Criador em Sua misericórdia e justiça que sempre permita
    Em minha vida, o bálsamo, a paz e a melissa Mulher!(calmante natural)
    ***
    Ademário da Silva @¨#= 11/março/2012

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