Pretenciosa ficção

Aproveitei as férias para ler algo do tipo leiturinha de férias: puro entretenimento. Escolhi então A cabana (The Schack), de Willian P. Young, um dos livros mais vendidos e comentados atualmente nos EUA.

Mas pra minha frustração total, o livro  não tem nada de entretenimento, e sim, um questionamento profundo sobre a espiritualidade numa cansativa narrativa de ficção.

A idéia do autor é claramente estimular sua imaginação para o fato da história ser ou não verdadeira e até para o fato dele (do personagem) mesmo existir. Digo isso porque no blog do autor, há uma discussão se ele existe ou não… loucura!

Enfim, uma versão americanizada de Paulo Coelho. Pra quem gosta do estilo, recomendadíssimo.

A história se inicia densa, com o desaparecimento e morte trágica de uma menininha. Depois, a história vai ficando mais amena à medida em que o personagem (pai da menina) começa a vivenciar experiências sobrenaturais, místicas, espirituais, fictícias – com quiserem – que o fazem questionar seus medos, dificuldades e atitudes.

O fato do autor ter estudado religião somados aos apelos para divulgação do livro nas páginas finais, me fizeram concluir que há um desejo ou projeto íntimo do autor em fundar uma religão, transformar pessoas e/ou angariar seguidores. Ele te convida a continuar a experiência do livro  no site dele em inglês, onde você poderá se comunicar com o autor, entender seu projeto e participar de um fórum.

Com exceção de algumas poucas idéias expostas, achei o livro ruim, e poderia até ser uma boa ficção do gênero se não tivesse um forte apelo de te convencer de que a história toda foi real.  Achei também a tradução para o português pobre. A linguagem simples e, ao meu ver, sem graça, foi assim escolhida para que atendesse a todos os leitores (dito pelo próprio autor) e para que despertasse o interesse em uma produção cinematográfica.

No fim do livro há um texto assinado por “um grupo de leitores” explicando o tal projeto:

“Dê o livro de presente a amigos e até mesmo a estranhos. (…)”

“Se você tem um site ou blog na internet, fale um pouco sobre o livro e como ele tocou sua vida. Não revele o enredo, mas recomende entusiasticamente que as pessoas o leiam.”

“Em reuniões e encontros, fale do livro e conte o impacto que ele causou em sua vida. Você estará prestando um grande favor aos que o escutarem.”

Achei isso tudo tão pretensiosamente cansativo que lamento informar ao “grupo de leitores” que esse livro não teve o menor impacto sobre a minha vida nem me tocou profundamente…

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  1. vaneden

    Gostei Fernanda. Livro que não é bom deve ser dito sim. Afinal um pouco de respeito pelos leitores que algumas vezes somos pegos desprevenidos com essa “bendita” lista dos 10 mais vendidos.

    Abraço

    Norma

  2. Bailandesa

    Amei o sincero post. Essa é a proposta bo clube e do blog: discutir as nossas leituras ( gostando ou não).
    Ah, e odeiei esse pedido aos leitores no final. Que coisa forçada!!

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