Relato de um certo Oriente

45602gMemórias com sabor, aroma e intensidade. Essa seria a minha curta descrição de Relato de um Certo Oriente, de Milton Hatoum. Gosto de tentar resumir coisas em uma frase, uma palavra, uma imagem. Mas resumir ou resenhar  o primeiro deste autor nascido em Manaus com ascendentes Libaneses, é tarefa nada fácil.Para mim foi uma experiência super (ou extra) sensorial

O relato é o  de uma mulher que volta a sua cidade natal após 20 anos de ausência e ao comunicar a morte da seua mãe adotiva, reconstrói numa carta para o seu irmão que mora em Barcelona, as memórias e histórias da família. Não só as suas, mas também as de outras pessoas.

Ao descrever os fatos que de desenrolam após a sua chegada, ela os embaralha com relatos também de outros personagens. Assim, as relações e tensões familiares tecem uma teia que lhe prendem e lhe fazem viajar entre os dois lados do rio em Manaus, entre o Oriente e o Ocidente e entre o ambiente exterior e o mais íntimo dos personagens.

A narração se divide entre várias vozes e para evocar o passado, o autor usa e abusa de aromas, sabores,  gestos e detalhes. Mas não espere algo em ordem sempre cronólogica.

A memória nos prega peças e muitas vezes precisamos da ajuda de outros para relembrar o ocorrido. Esta é a mágica desse o romance.Um tapete que vai sendo tecido através de muitos olhares e outros relatos. Assim vão aparecendo o conflitos entre parentes, línguas, culturas e classes sociais.

Não se preocupe em entender ou gravar todos os nomes e histórias,saboreie os parágrafos e deixe-se embrenhar nas muitas histórias. Desta forma, você conhecerá a história de Emelie, a matriarca, centro do enredo e eixo ao redor do qual toda a família orbita. Também o alemão Dorner, o fotógrafo, amigo da família, que retrata as belezas e agonias da terra. Hindié Conceição, amiga de Emelie e companheira de velhice, sempre presente. Os seus filhos, marido e em particular o filho mais velho, único a aprender o árabe e que ironicamente, foi o que mais se afastou. Além de outros fatos marcantes e tragédias que marcaram a família e a infância da narradora.

Para completar, assista abaixo uma entrevista com o autor :

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  1. Fernanda

    Muito instigante toda essa teia familiar. Adorei o vídeo. Não o conhecia e confesso que me encantei com seu estilo altamente inspirador.
    Estou na lista!

  2. vaneden

    Achei interessante a referência que o autor faz sobre a destruição ou deteriorização das cidades. Tenho certeza que a Manaus que tenho em minha memória (que nada mais é do que aquela passada atravez das histórias contadas por minha mãe e avó que nasceram e cresceram nas barranqueiras do Rio Amazonas) já nada tem a haver com a Manaus de agora.

    Eu como grande saudosista sempre que vou ao Brasil visito os lugares de minha infância e traz-me grande tristeza quando me deparo com o passado e parece-me que tudo não passou de um sonho.

    Adorei o seu post.

    Beijos

    Norma

  3. Pingback: Férias.Entre o sol e livros «

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