Literatura de Cordel- Será mesmo que para falar de Amor é necessário um português correto?

Ter a língua portuguesa como língua mãe é um privilégio a ser reconhecido, ser natural de um país tão imenso e diversificado quanto o Brasil nem se fale! A interligação entre cultura popular e erudita é estreita e enriquecedora em todos os níveis, desde a música, artes plásticas até a literatura. No final, tudo se mistura e quase não é possível mais distinguir uma arte da outra. Isso faz desse país tão peculiar, um ventre  fértil para qualquer forma de expressão artística, e o resultado é esse fantástico apanhado de obras tão originais e livres em formas e conteúdos.

A cultura popular, muitas vezes proveniente de classes menos favorecidas e com menor acesso à educação, comumente inspira e modifica toda a trajetória do desenvolvimento cultural brasileiro, e é nesse terriório, que acredito, onde a democracia brasileira consegue ser realisticamente bem-sucedida. As manifestações populares acontecem em todas as regiões do país e cedo ou tarde migrarão, se miscigenarão e entrarão sem pedir licença na casa de cada um.

O ponto em questão é que com educação ou sem educação (sem dimunuir a importância essencial do acesso à educação formal para todos), esse povo tão criativo vai encontrar alguma forma de se expressar, e vai gerar material de alta qualidade para o apreciamento dos intelectuais.

Dentre tantos, um exemplo tão objetivo é a famosa literatura de cordel, cujas origens remotas européias tiveram uma releitura altamente regional, e tornou-se característica do nordeste brasileiro. Seguindo métricas e modalidades, os temas variam desde o amor passional até a rotina e vida cotidiana dos habitantes daquela região. A riqueza em quantidade de textos em cordel é gigantesca, e os poetas variam desde bem renomados e reconhecidos até anônimos. Apesar de ter adiquirido o devido respeito entre os estudiosos de literatura e escritores consagrados, arrisco dizer,  que sua popularidade ainda não atingiu em grande escala as classes detentoras do conhecimento intelectual em outras regiões do país. Mesmo com o dinfundido teatro de cordel, com espetáculos frequentes nas agendas culturais paulistas e cariocas, acredito que seja raro achar alguma obra dessa categoria literária na estante de grande parte dos leitores sulistas, ou mesmo de outras regiões.

Essa foi minha principal motivação para escrever esse poste, e assim, trazer alguma forma de acesso fácil à literatura de cordel e outras formas de expressão artística inspiradas nessa forma de literatura. De fato, publico a seguir 2 links com curiosidades e discussões sobre a literatura de cordel. No primeiro, além de informações gerais sobre teatro e literatura cordelista é possivel encontrar alguns erros comuns no pensamento coletivo sobre o que é a literatura de cordel, e o segundo trata-se de uma série de textos diversos falando de cordel:

1) http://www.teatrodecordel.com.br/

2)  http://www.camarabrasileira.com/cordel.htm

E após ter mencionado a conexão inevitável entre as diversas artes no Brasil eu não poderia deixar de citar, o agora famoso grupo musical, que mistura maracatu e música regional com toques de pop-rock, cujas letras são baseadas em literatura de cordel, apresentando performance teatral- Cordel do Fogo Encantado.  Abaixo segue, uma animação baseada na recitagem de uma poesia nordestina de carater popular feita pelo grupo no seu primeiro album, ilustrando a referência cordelista na obra dos citados músicos. Um videozinho muito apropriado para as vésperas da celebração do Valentine’s Day. Aproveitem!

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  1. Fernanda P.

    Estou surpresa. Moro no Sul do Brasil e tive o privilégio de conhecer a Literatura de Cordel por meio de uma professora e amiga. Apresentamos no FERA (o festival de arte e cultura do Paraná) três cordéis: um sobre o meio ambiente (tema do evento), outro escrito pela Maria – professora e orientadora do trabalho, e o último do poeta e cordelista José Honório, presidente da UniCordel (União dos Cordelistas de Pernambuco). Passei a admirar muito essa manifestação da cultura popular que resiste ao tempo e, aos poucos, vai ganhando espaço nas regiões mais distantes. Parabéns pelo artigo!!

  2. Bailandesa

    Priscilla, parabéns pelo post de estréia! Literatura de cordel, assim como muitas outras manisfestações cuturais nordestinas, são muitas ezes incompreeendidas e pré-julgadas. Viva a sensibilidade com autenticidade e sem artifícios. Adoro o trabalho do Cordel do Fogo Encantado.

  3. vaneden

    Lindo post! Penso que falar de amor vale todas as linguas e expressoes, manifestaçoes, modalidades e formas.

  4. priscillacamargo

    Oi Fernanda, desculpe a demora em responder seu comentário. Fiquei também super surpresa com essa iniciativa sua e da sua professora de apresentar literatura de cordel no FERA. É justamente por meio de divulgação em evenos culturais que as pessoas vão adquirindo acesso e curiosidade a respeito. Fico feliz que tenha gostado do artigo. Visitei seu blog e também gostei muito. Certamente essa troca que fazemos entre blogs literários além de ser prazeiroza é muito informativa.

    Abraços

  5. priscillacamargo

    Oi Clarissa….E viva mesmo!!!!! Arte sem “firulas” também é arte. Eu sou super fã do Cordel, e justamente os seus shows no SESC são umas das coisas que eu mais sinto falta do Brasil. Se um dia souberes que eles vem dar uma palinha por aqui, por favor não deixe de me avisar ;).

    Beijos

  6. priscillacamargo

    Obrigada Norma, fico feliz que tenha gostado. E concordo plenamento o amor pode e deve ser sempre expresso sem mesmo se importar com restrições intelectuais ou estéticas.

    Beijos

  7. priscillacamargo

    Obrigada Norma, fico feliz que tenha gostado. E concordo plenamento o amor pode e deve ser sempre expresso sem mesmo se importar com restrições intelectuais ou estéticas.

    Beijos

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