Precisamos falar sobre Kevin

Essa é a história de uma mãe que tenta encontrar respostas para os atos de seu filho. Aos dezesseis anos, o menino Kevin mata 9 pessoas em sua escola. Numa tentativa de encontrar a sua parcela de culpa, Eva, a mãe, revira e expõe os seus sentimentos e suas agonias que a atormentaram durante toda a criação do menino. Ela, então, escreve cartas ao marido. Nessas cartas, ela desseca todos os momentos em que Kevin mostrou um pouco de sua índole e tenta entender (e explicar ao marido), o que o levou a se tornar um menino mau. Desde antes de ele ter sido concebido, passando pela frustração da amamentação até o dia fatídico, uma quinta-feira, o leitor se vê encurralado entre os sentimentos de rejeição da mãe e o possível fato de o menino ser realmente detestável. Além disso, nessas cartas Eva confessa ao marido segredos ainda não revelados, e faz uma reflexão sobre a sua vida conjugal, sua profissão e o peso da maternidade ter se ser perfeita. Narrado inteiramente em primeira pessoa, a autora põe o leitor constantemente em dúvida sobre a veracidade dos fatos (se é verdade ou se é pura implicância de uma mulher que não se realizou com a maternidade). Chamo a atenção também para a bela escrita e para os desfechos impactantes de todos os capítulos. A cada final de capítulo, a sensação de incômodo e perplexidade tomam conta do leitor. O final é surpreendente por dois motivos. O primeiro gira em torno de novos detalhes sobre a quinta-feira. O segundo, a conclusão da própria Eva sobre os seus sentimentos para com seu filho. Um livro forte, angustiante e desconcertante. Um dos melhores que li ultimamente! Recomendo para quem quiser discutir a responsabilidade e a capacidade dos pais em criar seus filhos.

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  1. Mércia

    Malka, definitivamente é o próximo da lista.Imagino que tenho que preparar o estômago e a alma.Amei o que vc escreveu.

  2. jcfernandes

    Oiii Malka,

    Tambem fiquei curiosa…apesar da fila ser grande estou na disputa para ler este. Excelente resenha.

    Juliette

  3. Fernanda

    Malka,

    Que bom que falou sobre esse livro.
    No encontro, confesso que pensei em pegar, mas ler sobre angústias, medos, fracassos e dúvidas nem sempre parece tão instigante, principalmente porque somos mães, filhos ou mães&filhos, e todos temos nossas questões pessoais sobre esse assunto. Talvez iremos enxergar nossas próprias fraquezas e sentimentos ao lermos as cartas da autora, nos identificamos, ora como mães ora como filhos, o que atiça enormemente minha curiosidade sobre ele.
    Valeu pelo post!
    Beijo.

  4. malkac

    Meninas, fico feliz pelas respostas de vcs! vou ver se perco de vez esse meu medo de escrever e posto mais vezes..
    Beijos!

  5. Priscilla

    Acho que nao vou aguentar esperar essa fila tao grande e vou ter que comprar o livro. Estou curiosissima.

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