Categoria: Não-ficção

A Sociedade da Neve

Os dezesseis sobreviventes da tragédia dos Andes contam toda a história pela primeira vez

A sociedade da neve - livroAinda lembro do livro de capa dura meio esverdeada que recebi do Clube do Livro nos anos 80. Os Sobreviventes dos Andes, de Piers Paul Read, narrava a inacreditável história de um grupo de jovens uruguaios que tiveram que recorrer à antropofagia para sobreviverem a um acidente aéreo na Cordilheira dos Andes. A história me impactou tanto que tive que ver o filme Alive mais de dez anos depois. Isso ficou por muito tempo na minha cabeça.

A verdade é que essa é uma história que chocou e impactou todo o mundo. Alguns, apenas pelo detalhe grotesco do canibalismo, outros, pela capacidade de sobrevivência do ser humano ou pela força de um grupo em uma situação de catástrofe. Enfim, existem diversas histórias dentro nesse incrível acontecimento. Pablo Vierci, que foi colega de escola de vários dos sobreviventes, conseguiu mostrar os mais diversos ângulos; ou pelo menos a versão de cada sobrevivente.

O autor começou o seu relato em 1973 mas, devido à comoção provocada, congelou o seu projeto. Quase quarenta anos depois ele ressurge com o mais completo relato do ocorrido. Mas para entender, precisamos voltar ao ano de 1972.

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As histórias de Rosa Montero

Rosa Montero

Foi deliciosa a estreia da literatura de Rosa Montero na minha vida através de História de Mulheres.

O livro é fruto da série de artigos publicados pela autora em El País Semanal, em versão ampliada, sobre a vida de 15 mulheres que a tocaram de algum modo, fazendo-a “refletir, viver, sentir”.

Rosa Montero fez renascer minha paixão por biografias, há tempos adormecida, desde quando li a biografia de Camille Claudel, aos 16 anos.

A delícia de descobrir a vida real, a vida de cada dia, de homens e mulheres de carne e osso, com qualidades e defeitos, e de encontrar numa linha, num parágrafo ou num capítulo um pouco (ou muito) de nós mesmos.

O livro me fez perceber que, de fato, todos escrevemos nossa história, a cada dia, a cada escolha, a cada desafio que enfrentamos e a cada solução que encontramos. E são essas atitudes que nos tornam únicos.

As mulheres escolhidas por Rosa Montero são mulheres únicas e por isso especiais. Recomendo à título de identificação, análise e reflexão, principalmente acerca da postura feminina na sociedade e pela maneira fluente, clara e atraente da escritora/tradutora em expressar suas ideias e nos transportar para outras vidas de forma tão contagiante.

Espero em breve ler a biografia completa de algumas das mulheres do livro.

CHICO XAVIER – O LIVRO, O FILME, O HOMEM

Anos atras li o livro de Marcelo Souto Maior sobre a vida de Chico Xavier e gostei. Agora, em visita ao Brasil, tive a oportunidade de assistir o filme que estreou em todos os cinemas no dia 2 de abril, data do centenario de Chico Xavier que morreu em 2002 aos 92 anos.  O filme, baseado no livro, usa como pano de fundo o programa Pinga Fogo exibido na decada de 70 onde Chico foi sabatinado por 3 horas.  Sem nenhum apelo religioso o filme mostra a vida simples, sofrida e nobre deste senhor tao conhecido, respeitado e admirado pelo povo brasileiro (ate mesmo pessoas de outras religioes reconhecem o valor de Chico Xavier). Claro que o filme tambem sera alvo de muitas criticas, mas a vida de um homem como Chico nao pode ser resumida em 2:30 de filme (a nao ser que fosse criada uma serie). Daniel Filho tentou mostrar os fatos mais importantes e marcantes da vida de Chico para que uma pessoa que nao tem muito conhecimento sobre a vida dele possa fazer as conexoes. Ja ouvi comentario do tipo: o filme mostra muita pobreza – alooooo, o filme mostra a vida REAL de um homem que viveu para fazer o bem e nunca se aproveitou financeiramente disto. Bom, tambem comprei o livro sobre as filmagens e tudo que aconteceu enquanto tentavam reconstruir a vida do Chico nos minimos detalhes. O livro conta passagens interessantes e emocionantes. Tem um trecho que vou transcrever aqui. “Daniel Filho sempre cumpre o mesmo ritual no primeiro dia de filmagens de seus longas-metragens: reune elenco e equipe tecnica no set e pede para formarem uma roda. E o momento da largada. Hora de motivar o grupo e preparer o terreno para o que vem pela frente: trabalho duro. No dia da primeira locacao do filme, cerca de cem pessoas entre elenco e equipe tecnica, rodeiam o diretor e dao as maos a pedido dele.

       – Peco um minuto de reflexao a todos voces – Daniel inicia seus discurso de arrancada no centro da roda.

        -Todos sabem que sou ateu. Por isso mesmo, me sinto muito a vontade para encarar este desafio. Vamos contar a historia de um homem especial, amado por milhoes de pessoas. E uma grande responsabilidade esta que vamos assumir juntos, pois ha muitos terrestres nos acompanhando a partir de agora e, para quem acredita, muitos do outro lado tambem…

            Tres integrantes da roda fazem o sinal da cruz.

        – Peco que cada um pense positivamente, por um minuto, no trabalho que vamos realizar. Em silencio, cada um com a sua crenca”

          Ainda no Brasil uma amiga me perguntou (muitos irao fazer a mesma pergunta) sobre uma parte do filme onde ele demonstra claramente o seu medo de morrer por causa de uma turbulencia no aviao em que  viajava (Chico adorava contar esta historia e ria muito disto). A pergunta fatal e: mas se ele acreditava em vida apos a morte porque sentiu medo? Sobre isto minha opiniao e a seguinte: se voce esta neste mundo voce e humano e como todo humano sente medo, receios, duvidas e tudo que um humano sente, mesmo conhecendo parte dos misterios que existem entrte o ceu e a terra…querem um exemplo? Voces reconhecem estas frases? Afasta de mim este calice e Senhor porque me abandonaste? Pois e, ele tambem sentiu medo e teve duvidas. Para mim o filme foi envolvente,contagiante e muuuito REAL, gostei e me emocionei. Para terminar este post deixo aqui uma das frases do Chico.

Se Allan Kardec tivesse escrito que “Fora do Espiritismo nao ha salvacao”, eu teria ido por outro caminho. Gracas a Deus ele escreveu “Fora da Caridade, ou seja, do Amor nao ha salvacao.

 

(Chico Xavier)

 

 

Meu Querido Leo

 LEO BUSCAGLIADizem que quando o discipulo esta pronto o mestre aparece e tambem dizem que nao escolhemos os livros que lemos, mas somos escolhidos por eles. Penso que isso pode ser verdade porque Leo Buscaglia entrou em minha vida desta forma. Um dia uma professora na faculdade indicou um livro (nao era leitura obrigatoria)…o titulo era “Vivendo, Amando e Aprendendo e a professora fez muitos elogios ao mesmo. Gravei o nome do livro pensando em compra-lo mas fui deixando para la. Passado algum tempo vejo este livro nas maos de uma pessoa na fila do banco e tempos depois, visitando uma amiga em Ribeirao Preto ela diz:  Ju, li um livro muito bom e sei que voce vai amar…  para minha surpresa o livro que ela tira da estante era o mesmo que havia sido indicado pela professora e eu decidi que tinha chegado a hora de ler.

 Passei o final de semana lendo o livro enquanto meu marido e meus amigos jogavam cartas e me “apaixonei” por este senhor. De volta para Sao Paulo comprei o livro para te-lo, para emprestar e para ler de novo quando desse vontade e ainda pensava nas coisas que havia lido. Decidi entao escrever para o autor apenas para que ele soubesse o quanto eu tinha achado aquele livro especial. Entrei em contato com a Editora, perguntei como entrar em contato com o escritor que morava nos Estados Unidos, eles se prontificaram a enviar minha carta e assim foi feito (na epoca nao tinhamos as facilidades tecnologicas de hoje…e gente, faz muuito tempo isso). Um mes depois recebo a resposta do autor Continuar lendo

Cartas perto do coração

Cartas Perto do Coração

Cartas Perto do Coração

Num mundo em que a comunicação é sinônimo de instantaneidade e muitas vezes, superficialidade, ler Cartas Perto do Coração nos faz pensar sobre as relações entre amigos. A coletânea de cartas trocadas por Fernando Sabino e Clarice Lispetor durante 23 anos (1946 – 1969) nos abre os bastidores da longa e sensível amizade entre os dois escritores. Também nos revela as inseguranças, dúvidas de dois monstros da literatura brasileira.

As cartas de Clarice foram escritas quando ela morava na Suíça e Estados Unidos. Fernando, por sua vez, também passou um tempo nos EUA. O fato de ter emigrado e estar rodeada de facilidades tecnólogicas, me fez sentir quase que na pele as dificuldades de se manter em contato com os amigos, mas também para trabalhar naquela época. Pedir a opinião sobre um trabalho, revisar provas, mandar anotações. Tudo isso, feito pelo correio. Algo hoje, inconcebível para nós.

No entanto, o tempo de estio entre uma carta e outra parecia só fortalecer a amizade e inspirar os jovens escritores. Ao ver a minha caixa de entrada de emails, confesso que senti uma dolorosa inveja: piadas, as famigeradas apresentações de power point (com som ainda!), emails cheios de abreviações e pressa, que só expressam a falta de empenho e tempo para se dedicar aos amigos.

Voyeur de uma amizade

Mas voltando ao livro,  a experiência de acompanhar a formação dos escritores através das suas informais – e muitas vezes brilhantes – cartas foi muito interessante. Muitas vezes me senti desconfortável, como se estivesse lendo algo tão íntimo que não deveria ser público.  Quase como uma voyeur do sofrimento pessoal e tormento criativo. Admito porém que saber das suas fraquezas, às  vezes me surpreendeu e muitas vezes me confortou. Trechos como os abaixo nos fazem cúmplices dos amigos escritores:

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Muitas histórias para nós, mulheres

História de Mulheres

História de Mulheres

Esse não é um post sobre que o já li, mas sobre o sobre o que quero ler.  Rosa Montero esteve presente no primeiro post do blog, quando apresentei “A Filha do Canibal”.  Lendo o Contemporânea, acabei de saber de um lançamento de 2008 que aconteceu sem maiores alardes de público e crítica, mas que instigou a minha curiosidade literária: o livro História de Mulheres.

No livro estão reunidas história de 15 mulheres com feitos extraodinários na história da Humanidade.  São nomes como Simone de Beauvoir, Camille Claudel e Frida Kahlo; mulheres com talentos, perfis e histórias diferentes  que são entrelaçadas pelo talento da jornalista e escritora espanhola.

Segundo a autora, as mulheres escolhidas foram  mulheres que, de algum modo, a tocaram e emocionaram; que falaram a ela.  Posso dizer que Rosa Montero também me tocou. Esta é a razão de já termos dois posts sobre a escritora.  E provavelmente, teremos um quarto, quando tiver lido o livro.

Cá entre nós, esse é um livro que não poderia deixar de  estar aqui no Entre Mulheres e Letras, não é mesmo?

Título: Histórias de Mulheres
Título Original: Historias de Mujeres
ISBN: 9788522009800