De zaak 40/61

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Há uns tempos atrás li uma reportagem, que não me lembro mais,  no jornal NRC next em que o autor citava um livro do famoso escritor Harry Mulisch – De zaak 40/61 (O caso 40/61).  Um pouco antes do meu aniversário, me perguntaram o que eu queria de presente e o livro me veio imediatamente à cabeça.  Então lá fui eu ler um livro em holandês um pouco mais difícil do que estou acostumada. No começo achei o livro difícil, mas não me dei por derrotada. Tomei coragem e fui em frente. 

Hoje finalmente depois de mais de dois meses consegui chegar ao fim.  Agora posso falar que fazia tempo que o Holandês (e aqui coloco em maiúscula porque ele virou uma entidade própria na minha vida) não me desafiava assim. Aqui tive que ler frases mais de duas vezes e virei várias páginas sem entender o que se estava dizendo.  Mas ainda sim posso dizer que o livro valeu apena.

Para quem gosta de Segunda Guerra Mundial, o livro é interessantíssimo.  São coletâneas de artigos que o Harry Mulisch escreveu durante o julgamento do Eichmann em 1961 em Jerusalém. Eichmann foi o responsável pelo logística do transporte dos judeus até os campos em concentração. Ele foi preso na Argentina 1960 pelo serviço secreto israelense e foi julgado em Israel, onde recebeu a pena de morte.

Durante o livro Mulisch relata o processo em andamento, divaga sobre as razões que levaram Eichmann a cometer tal crime e conta histórias extremamente tocantes de sobreviventes.  O autor ainda visita Berlim e  Oswiecim.

O ponto mais desconcertante do livro é quando Mulisch conclui que para se cometer um crime como Eichmann o fez, a pessoa não precisa sofrer de nenhuma doença mental nem de possuir pensamentos estrondosos. O indivíduo precisa simplesmente ser um “bom”  cidadão e obedecer as regras/ordens a que é imposto. Na verdade,  Eichmann era um ótimo burocrata e fazia o seu trabalho extremamente bem, seja ele qual fosse. O seu problema era sua extrema lealdade ao seu trabalho.

Nesse ponto, não consigo deixar de fazer o paralelo com o mundo atual. Quantas pessoas não andam por aí seguindo ordens sem sequer pensar na natureza de suas atitudes, como aparentemente Eichmann o fez? Quais serão as consequências desses atos? Para mim, esse livro serviu como uma prova adicional da importância de estarmos sempre nos indagando sobre tudo ao nosso redor, e sobre principalmente as nossas próprias atitudes.

Apesar de ter gostado muito, tenho uma pequena crítica ao livro: Mulisch cita várias passagens em alemão, o que contribui (e muito!) para a minha dificuldade em entender o texto.  Contudo, ele dá uma razão pra isso que ainda me dá calafrios: “ Citaten zijn zo veel mogelijk in het duits, want in her nederlands is het niet meer, wat het is: gevaarlijk” (p. 5).  (Citações são sempre que possível em alemão, pois em holandês elas não são mais, o que são: perigosas).

Finalizo o meu texto com uma dica para os mais interessados. Durante a leitura do livro, não pude deixar de fazer o paralelo com esse estudo (em inglês). No entanto, só agora consultando a Wikipedia, descobri que o estudo começou a ser realizado durante o julgamento do Eichmann. Agora me pergunto: quem inspirou quem? Mulisch Milgram ou Milgram Mulish?

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XIII Encontro


Nesse domingo aconteceu a nossa XIII reuniao do Entre Mulheres e Letras, e dessa vez tivemos uma integrante especial, a Julieta que entre uma viagem e outra veio nos prestigiar, ela nao esta com o maior jeito de mascote do clube?

Meninas obrigada pela presenca, foi uma tarde maravilhosa e um prazer receber voces aqui em casa. Agora, vamos ler!

Pra quem tem gatos

 

 

 

 

 

Era abril de 1984, estava na Candelária, centro do Rio de Janeiro e encontrei-me por acaso  com uma grande amiga, que nesta altura estava com oito meses de gravidez.

No Rio acontecia uma das maiores manifestações públicas da história do Brasil, com 1.000.000 de pessoas a pedir “Diretas já”.

Um mes depois nasceu Maria Antonia sob o clima de mudança. Maria Antonia viveu pouco tempo, falecendo aos 26 anos com um tipo raro de câncer. Deixando-nos com uma coletânea de crônicas que foi publicada por sua família neste livro, escrito com seu senso de humor impar.

O livro Pra quem tem gatos, contém estórias curtas e divertidas da sua observação da vida e seus personagens hilariantes.

“Tinha pavor dos embaixadores de Freud, que tragavam um cigarro e diziam: Fale-me dos medos”.

“O superego e dissolúvel em alcool Vamos encher a cara hoje".

Maria Antonia deixou saudade.

Para ler, pensar e crescer

Quando voce le um livro e depois fica lembrando dele, de algumas “cenas”, algumas frases, das licoes que voce voce tirou da historia alheia, e porque este livro merece um post. Ontem terminei de ler o livro “SOCIEDADE DA NEVE” de Pablo Verci. Nele os 16 sobreviventes dos Andes contam toda a historia pela primeira vez. No primeiro livro, que foi lancado logo depois do resgate, intitulado “Os sobrevientes” a historia foi contada por cima apenas falando sobre o acidente e o resgate. Por um longo periodo os sobrevientes se fecharam e nao queriam dar entrevistas, primeiro por respeito as familias dos que nao sobreviveram, segundo porque precisavam de um tempo para administrar, em suas cabecas, tudo que aconteceu. Este livro tem o depoimento de cada um dos 16 que sobreviveram, a visao de cada um para o que aconteceu, o que aconteceu na vida de cada um apos o acidente, quais as consequencias e as licoes aprendidas por ter vivido entre a vida e morte durante 72 dias e ter que, para sobreviver, se alimentar dos corpos dos amigos mortos. Quando aconteceu o acidente eu era uma garota de 11 anos e so agora, lendo o livro, descobri que os passageiros daquele aviao tinham entre 18 e 25 anos, eram garotos e isso torna a historia ainda mais incrivel. Em muitas partes do livro chorei, consegui em alguns momentos me transportar para o local do acidente e me colocar no lugar deles, embora saiba que ninguem e capaz de sentir o que eles sentiram apenas lendo um livro. Duante os 72 dias nas montanhas geladas eles formaram uma sociedade, “A Sociedade da Neve” onde descobriram o que era trabalho em equipe, amor ao proximo, solidariedade, sonhos, forca do pensamento, fe etc. Mais do que um relato emocionante o livro e uma licao para quem le.
 
Algumas frases retiradas de alguns relatos: (farao mais sentido quando voces lerem o livro)
 
Aprendi para sempre que quando voce se sente perdido na imensidao, isso e apenas um sentimento”
“La em cima, na mais absoluta miseria, encontrei a resposta, aprendi como preencher esse vazio, e anotava o que iria fazer se sobrevivesse, como ia preencher aquele vazio, sem cair nas tentacoes FACEIS e FUTEIS da sociedade convenvional”
” Que o amor nao se divide mas se agigante”
” Me dei conta de que o que nao se diz provoca dor e que falar cura”
” Conheci na propria pele o que e o poder da mente. Comprovei como e verdadeira a frase que diz: viver nao basta; o que importa e sonhar””
” Fui aos poucos conhecendo o poder que a mente exerce sobre o corpo”
” O Ser Humano e capaz de se adaptar a qualquer coisa. Para o bem e para o mal”
” A passagem do tempo so tem bilhete de ida”
” O que voce acredita serem seus limites acabam determinando as suas fronteiras”
” O mais paradoxal e que a verdadeira paz so chega quando paramos de correr atras dela”
” Se o inferno existe ele nao e feito de fogo; e escuro e feito de gelo”
” O tempo e um bom cicatrizante, caso contrario viveriamos ancorados na dor, de tragedia em tragedia, e nao resistiriamos”

Shakespeare and Company

Quem adora livros geralmente adora tambem bibliotecas e livrarias nao eh mesmo? Eu adoro! Ha alguns anos eu tive a alegria de morar em Paris, e um dia passeando pelas ruas do Quartier Latin eu entrei em uma livraria, com portas bem pequena mas dentro havia altas paredes forradas de livros e uma atmosfera encantadora, subindo as escadas entre os livros havia uma cama com uma cortina vermelha na frente, um outro comodo com um piano, uma maquina de escrever para quem quisesse usar, e uma parede forrada de recados em diversos idiomas.
Sai de la encantada e fui pesquisar sobre o lugar. Era a livraria mais famosa de Paris, a Shakespeare and Company. Considerada abrigo da “geração perdida”, de autores como Ernerst Hemingway, Ezra Pound, Scott Fitgerald e Gertrude Stein e muitos outros. A cama com a cortina vermelha que eu vi, abrigava os escritores recem chegados em Paris que nao podiam pagar um comodo na cidade. A livraria que eh especializada em livros em ingles foi fundada em 1951 pela americana Sylvia Beach, e logo depois passou as maos de George Whitman. Famoso pela sua ecentricidade e generosidade, que fez da livraria, um encontro entre artistas e escritores de todo o mundo. E pelas paredes esta impresso o seu lema:
“Be not inhospitable to strangers / Lest they be angels in disguise.”
Shakespeare and Company continua com o mesmo principio, nao so de vender livros mas tambem de reunir amantes da literatura. E por todo ano existem programacoes de varios eventos literarios, que podem ser encontradas no site: http://www.shakespeareandcompany.com/index.php .

As fotos foram tiradas do Facebook da livraria, e nao havia o credito para o fotografo.

PS: Perdoem a falta de acentos, esse teclado nao fala bem Portugues ;).

Um livro como castigo

Tonio - A.F. Th. Van der Heijden

Leitura para muitos é sinônimo de prazer. Principalmente para nós aqui do blog. No entanto, um juiz na Bélgica resolveu usar a leitura de um livro como pena para um infrator do trânsito. A primeira coisa que pensei foi: Poxa, que livro é esse?!

Pela escolha do livro, vejo que a intenção do juiz foi a de conscientização. Ao invés de ficar três  anos sem carteira de habilitação, o infrator terá a opção de ler o livro Tonio, do autor holandês A.F.Th. van der Heijden.

Tonio é um romance sobre perda. O escritor perdeu seu único filho num acidente de trânsito. Ele foi atingido por um carro, quando andava de bicicleta. O livro narra a busca do pai em saber como foram as últimas horas e dias do filho antes da sua morte. A história me deixou instigada a ler o livro. Deve ser um relato muito comovente.

A.F.TH. van der Heijden é famoso por livros longos. Espero que as 632 páginas de Tonio possam fazer uma diferença na vida do infrator. Ele será interrogado por uma comissão que conferirá  se ele realmente leu o livro.

O pequeno grande Artur

A imagem da leitura de hoje veio de um pequeno leitor, que mesmo antes de ser alfabetizado já foi conquistado pela mágica dos livros.
“O Artur, tem 4 anos e ainda não é alfabetizado. Ele “lê” através das imagens e cria a sua própria história. Uma graça!”
Vanessa N.

Uma graça mesmo Vanessa, com esse interesse pela leitura desde tão novinho provavelmente varios universos irão se abrir para o Artur muito cedo, criatividade parece que ele já tem bastante. Menino esperto!


Foto: Vanessa N
Local- Fortaleza- CE Brasil

Se você também quer participar, envie sua foto do momento da leitura, para entremulhereseletras@yahoo.com .