Marcado: Afeganistão

O Caçador de Pipas

Equanto me dedicava ao holandês, ele ficou paradinho, encostado na prateleira por mais de um ano, junto ao livros em português que trouxe do Brasil. Quando corri os meus dedos na estante em busca de algo para ler, tinha sede de algo em minha língua, algo que à primeira vista tivesse um significado facilmente reconhecido, assim como um sorriso de mãe, da língua-mãe. E foi assim mesmo que aconteceu. Peguei “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini e as palavras, como melodias doces, me atraíram de primeira.

A bela e conturbada saga de Amir além de me comover, me pegou de jeito. Amir, narrador da história, é um menino afegão que, apesar de uma infância afortunada, era atormentado pela luta pelo amor do pai e pela culpa por ter traído Hassan, seu melhor amigo. Hassan, menino pobre, empregado de Amir e de etnia discriminada no Afeganistão, é o símbolo de honra, honestidade, coragem e de verdadeira amizade. Os seus caminhos se cruzam e se afastam e nos revelam, entre as eventuais lágrimas, sentimentos como amor, amizade, honra, traição, culpa, perdão e redenção.

O livro também nos dá uma oportunidade de ver o Afegansitão por uma outra lente. Depois de ver tantas imagens de cidades destruídas, foi difícil e ao mesmo tempo reconfortante imaginar a beleza da paisagem e a riqueza dos aromas e sabores descritos no livro.

Mergulhando na sua cultura e conflituosa história, encontramos a beleza do passado e ao mesmo tempo, a crueldade da intolerância e das guerras. Revela-se um panorama histórico e político do país; desde os anos 70 até a queda das Torre Gêmeas e a expulsão dos Talibãs pelas Forças Aliadas com o apoio da Aliança do Norte.

Essa entrará na minha galeria de histórias inesquecíveis. Recomendo.

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